segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Espaço Pessoal

Espaço pessoal de uma pessoa, para mim, mais que algo físico, é o espaço com que nos sentimos confortáveis em que certa pessoa entre na nossa vida. Posto isto, o espaço pessoal apenas tem sentido quando falamos em relações de qualquer género. Tem a ver, para mim, com os limites que impomos ou permitimos a outra pessoa, na nossa vida. Por exemplo, eu posso permitir que certa pessoa minha amiga me envie mensagens constantemente, e posso ate me sentir confortavel com isso, mostrando que estou em contacto com esse amigo e mostrando que gosto dela o suficiente para trocar regularmente uma mensagem de telemovel por exemplo. Mas se se tratar de outra pessoa, com a qual já não quero ter tal afinidade, já posso considerar que a mesma acção seja um abuso de confiança ou mesmo uma invasão á minha vida pessoal e privacidade.

Como tal, reconhecer o espaço pessoal de cada pessoa na nossa vida, os limites e permissões, influencia muito a nossa capacidade de nos relacionarmos com estas mesmas.

Para mim, para alem deste facto, penso que respeitar o espaço pessoal de alguem implica conhecer os seus pontos de vista, pois por exemplo, algo que para nós não é nada de grave, para outra pessoa pode ser um grave insulto.

Lembro me de um caso a uns anos, passado comigo, em que tendo vindo uma grande amiga minha de férias do brasil, quando chegou perguntei-lhe como tinham sido as férias, pois nunca tinha ido ao brasil, e estava curioso por saber novidade.

Para mim, esta pergunta era algo inocente, ela era minha amiga, tinha vindo de férias, e eu queria saber como ela estava. A forma como ela reagiu, na altura para mim foi totalmente inesperada, pois ela explodiu, dizendo que esta pergunta representava uma invasão, que ela tinha a escolha de fazer ou não o relatorio das férias e tinha-se sentido invadida. Acabou por dizer, para meu espanto que já tinha pensado em contar me como tinha sido no brasil, mas que a minha pergunta lhe tirava essa escolha (não por estas palavras mas não lembro dos termos exactos).

A minha pergunta para mim teve um significado, a meu ver inocente e de interesse e amizade verdadeiros, mas para ela teve outro totalmente diferente.

Recentemente passei por outra situação semelhante, em que perguntei a alguem se iria fazer alguma festa no dia de anos, ao que ela entendeu que eu me estava a “autoconvidar” para essa festa.

Este é talvez, a razão deste texto. Apercebi-me recentemente, que me é dificil perceber os limites do espaço pessoal em algumas pessoas, principalmente quando são situações que a mim não me dizem absolutamente nada mas que para elas, é algo muito importante, como o direito de escolha.

Mas isto fez-me pensar, se tudo é um reflexo de nós mesmos, quando é que eu reajo desta forma excessiva? Exactamente, quando ultrapassam limites que para mim são muito importantes, mas que para outras pessoas não são assim tão importantes.

No meu caso isso acontece quando não percebem que eu tenho necessidade de estar sozinho pelo menos 1h por dia por exemplo.

As relações humanas são algo complicado, e talvez sejam mais complicadas, quanto mais próximo essa pessoa for, no entanto também acredito que com compreensão, amor e muita, mas mesmo muita paciência é possível ultrapassar qualquer dificuldade, se conseguirmos reconhecer que as faltas dos outros, não são propositadas mas na realidade são muitas vezes mesmo feitas por amor. Segundo a lei dos espelhos, são mesmo uma oportunidade e um desafio para nos aperfeiçoarmos, ultrapassarmos e vermos exactamente o que aquela situação ou mesmo aquela pessoa representam dentro de nós.

Devo confessar que este é um dos pontos mais difíceis na minha aprendizagem, pois por que me é dificil demonstrar os meus limites, e mesmo reconhecer os meus proprios limites, é me por vezes tambem dificil reconhecer isso mesmo em pessoas que muitas vezes me são queridas, no entanto tambem reconheço que todos são os meus espelhos e aquilo que eu me observo na realidade...sou eu.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Desapego

Ouve-se falar muito hoje em dia do termo desapego.

Pessoalmente ouço-o muitas vezes em meios mais esotéricos, mas sem nunca me terem explicado exactamente o que significa.

Confesso que inicialmente entendi esta palavra um pouco como se fosse frieza ou desinteresse da parte da outra pessoa. Principalmente quando reparei que muitas vezes a pratica do desapego pode provocar dor ou mágoa.

Afinal, e na pratica, o que raio é o desapego?

Ora bem, pelo que percebi o desapego e o amor estão muito ligados. Na realidade, creio que não é possível amar verdadeiramente sem nos desapegarmos da pessoa que amamos.

Ou seja, imaginemos que temos um pássaro, um canário ou qualquer outra ave numa gaiola em casa (realmente não interessa), que é o nosso objecto de amor. Brincamos com ele, falamos com ele, partilhamos com a nossa ave tudo o que somos. Todos os dias chagamos a casa, damos-lhe comida, falamos com ela, permitimos que cante para nos alegrar, e passado algum tempo não conseguimos imaginar a nossa casa sem esse ser. Apegamo-nos a ele.

Tudo isto é bem bonito do nosso lado, mas....se realmente amamos esse ser, porque razão o temos preso? Se amamos essa ave, porque razão temos medo de abrir a gaiola, e permitir que esse ser que tanta alegria nos dá seja realmente feliz? Se gostamos tanto desse ser, porque razão quando ele é feliz, quando ele segue o seu caminho temos tanto medo de o perder?

Afinal, se ao abrir a gaiola a ave não voltar, então nunca foi realmente nossa, nunca se permitiu ser realmente nossa. Mas se por outro lado voltar, então saberemos que voltou porque nos ama também. Isso é o desapego, a coragem de, amando, abrir mão e confiar que essa pessoa (ou ave lol) não vai sair da nossa vida só porque vive também a sua vida sem estar agarrada a nós.

E no fundo não é isso que acontece numa relação hoje em dia? Agarramo-nos a uma pessoa para nos sentirmos bem, mas essa pessoa também tem sonhos, vida, destino e isso pode implicar que não esteja sempre junto a nós, implica deixar essa pessoa ir e confiar que vai voltar para nós, porque fez o seu caminho e retoma a nós porque nos ama, e não porque a agarramos de tal forma que ela não consegue escapar.

Amar verdadeiramente implica desapegar, confiar, sermos completos por nós mesmos e não porque não possuímos alguém ao nosso lado. Significa perceber que nós somos capazes de viver a nossa vida, apenas com a nossa força, e não precisamos de ir buscar essa força a outra pessoa, qual vampiro, se essa pessoa não estiver disponível.

Não estou com isto a dizer que se essa pessoa escolher estar connosco, se a ave escolher voltar, então não nos agarremos a ela, ouvindo a sua musica e ficando alegres com a sua presença, mas o desapego implica que quando a ave escolher partir e seguir o seu caminho, quando não estiver junto de nós, nós não sejamos felizes por nos mesmos, descobrindo também o nosso canto solitário e aceitando quando essa hora chegar.

Desapego é caminhar lado a lado, aceitando que por vezes o nosso caminho faz-se sozinho, permitindo e aceitando que quando for hora de partir, então não se deve agarrar essa pessoa, mas estando gratos por todas as lições e bons momentos que essa pessoa partilhou connosco.

Acima de tudo, sendo felizes connosco, para sermos felizes com outros.

Para mim isso é o desapego.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Mudança

Ora bem

Aqui estou eu a escrever a primeira mensagem, do meu primeiro blog.
Nunca pensei antes ter um blog, nunca sequer me imaginei um dia a ter um blog,
no entanto aqui estou eu, a olhar para um ecrã de computador, a escrever algo que todos vão ver.
Como a vida muda, ou como nós mudamos com a vida, ou talvez o termo correcto seja, como nós vamos mudando á medida que vivemos.
Este blog será sobre esse assunto, a mudança.
Decidi escrever sobre a mudança porque no fundo, nos ultimos 2 anos a minha vida mudou, ou melhor, eu mudei por dentro, e quando mudamos no interior é bem sabido que muda tambem no exterior. 
A mudança é mesmo o assunto que conheço bem. Tirei muitos cursos, apredi muitas teorias, conheci muita gente. No fundo, vejo agora, tudo foi um reflexo de mim, do que tinha de aprender, e do caminho que escolhi, pois temos escolha de tudo na nossa vida não é verdade?
Não vou ter uma periodicidade, escreverei quando sentir que devo escrever, vou falar de livros que leio, pensamentos que tenho, sobre mim pois não posso falar de outra pessoa, vou colocar fotografias que tiro.
Mas acima de tudo, o meu objectivo é partilhar o meu coração a quem quiser ler.

um abraço, 
Bruno