sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Desapego

Ouve-se falar muito hoje em dia do termo desapego.

Pessoalmente ouço-o muitas vezes em meios mais esotéricos, mas sem nunca me terem explicado exactamente o que significa.

Confesso que inicialmente entendi esta palavra um pouco como se fosse frieza ou desinteresse da parte da outra pessoa. Principalmente quando reparei que muitas vezes a pratica do desapego pode provocar dor ou mágoa.

Afinal, e na pratica, o que raio é o desapego?

Ora bem, pelo que percebi o desapego e o amor estão muito ligados. Na realidade, creio que não é possível amar verdadeiramente sem nos desapegarmos da pessoa que amamos.

Ou seja, imaginemos que temos um pássaro, um canário ou qualquer outra ave numa gaiola em casa (realmente não interessa), que é o nosso objecto de amor. Brincamos com ele, falamos com ele, partilhamos com a nossa ave tudo o que somos. Todos os dias chagamos a casa, damos-lhe comida, falamos com ela, permitimos que cante para nos alegrar, e passado algum tempo não conseguimos imaginar a nossa casa sem esse ser. Apegamo-nos a ele.

Tudo isto é bem bonito do nosso lado, mas....se realmente amamos esse ser, porque razão o temos preso? Se amamos essa ave, porque razão temos medo de abrir a gaiola, e permitir que esse ser que tanta alegria nos dá seja realmente feliz? Se gostamos tanto desse ser, porque razão quando ele é feliz, quando ele segue o seu caminho temos tanto medo de o perder?

Afinal, se ao abrir a gaiola a ave não voltar, então nunca foi realmente nossa, nunca se permitiu ser realmente nossa. Mas se por outro lado voltar, então saberemos que voltou porque nos ama também. Isso é o desapego, a coragem de, amando, abrir mão e confiar que essa pessoa (ou ave lol) não vai sair da nossa vida só porque vive também a sua vida sem estar agarrada a nós.

E no fundo não é isso que acontece numa relação hoje em dia? Agarramo-nos a uma pessoa para nos sentirmos bem, mas essa pessoa também tem sonhos, vida, destino e isso pode implicar que não esteja sempre junto a nós, implica deixar essa pessoa ir e confiar que vai voltar para nós, porque fez o seu caminho e retoma a nós porque nos ama, e não porque a agarramos de tal forma que ela não consegue escapar.

Amar verdadeiramente implica desapegar, confiar, sermos completos por nós mesmos e não porque não possuímos alguém ao nosso lado. Significa perceber que nós somos capazes de viver a nossa vida, apenas com a nossa força, e não precisamos de ir buscar essa força a outra pessoa, qual vampiro, se essa pessoa não estiver disponível.

Não estou com isto a dizer que se essa pessoa escolher estar connosco, se a ave escolher voltar, então não nos agarremos a ela, ouvindo a sua musica e ficando alegres com a sua presença, mas o desapego implica que quando a ave escolher partir e seguir o seu caminho, quando não estiver junto de nós, nós não sejamos felizes por nos mesmos, descobrindo também o nosso canto solitário e aceitando quando essa hora chegar.

Desapego é caminhar lado a lado, aceitando que por vezes o nosso caminho faz-se sozinho, permitindo e aceitando que quando for hora de partir, então não se deve agarrar essa pessoa, mas estando gratos por todas as lições e bons momentos que essa pessoa partilhou connosco.

Acima de tudo, sendo felizes connosco, para sermos felizes com outros.

Para mim isso é o desapego.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Mudança

Ora bem

Aqui estou eu a escrever a primeira mensagem, do meu primeiro blog.
Nunca pensei antes ter um blog, nunca sequer me imaginei um dia a ter um blog,
no entanto aqui estou eu, a olhar para um ecrã de computador, a escrever algo que todos vão ver.
Como a vida muda, ou como nós mudamos com a vida, ou talvez o termo correcto seja, como nós vamos mudando á medida que vivemos.
Este blog será sobre esse assunto, a mudança.
Decidi escrever sobre a mudança porque no fundo, nos ultimos 2 anos a minha vida mudou, ou melhor, eu mudei por dentro, e quando mudamos no interior é bem sabido que muda tambem no exterior. 
A mudança é mesmo o assunto que conheço bem. Tirei muitos cursos, apredi muitas teorias, conheci muita gente. No fundo, vejo agora, tudo foi um reflexo de mim, do que tinha de aprender, e do caminho que escolhi, pois temos escolha de tudo na nossa vida não é verdade?
Não vou ter uma periodicidade, escreverei quando sentir que devo escrever, vou falar de livros que leio, pensamentos que tenho, sobre mim pois não posso falar de outra pessoa, vou colocar fotografias que tiro.
Mas acima de tudo, o meu objectivo é partilhar o meu coração a quem quiser ler.

um abraço, 
Bruno